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Courtney Love e Dave Grohl se abraçam em homenagem a Kurt Cobain no Hall da Fama do Rock

Era exatamente 0h quando Joan Jett subiu ao palco com os integrantes que restaram do Nirvana e eles embarcaram juntos no primeiro acorde de “Smells Like Teen Spirit”. Até aquele momento, o público que esgotou a lotação do Barclays Center, no Brooklyn, tinha testemunhado uma longa noite repleta de momentos milagrosos, somente possíveis na cerimônia anual do Hall da Fama do Rock: um radiante Peter Criss abraçando o suposto inimigo Paul Stanley, Cat Stevens colocou os fãs do Kiss e do Nirvana que lotaram a arena para cantar “Peace Train”, Courtney Love deu um longo e forte abraço em Dave Grohl após 20 anos de acusações e processos judiciais, e Bruce Springsteen surgiu tocando com dois integrantes fundadores da E Street Band pela primeira vez em 40 anos.

Mas nada pode ser comparado à emoção de ver Joan Jett, Kim Gordon, St. Vincent e Lorde se alternando para assumir o posto de líder do Nirvana. Dave Grohl, Pat Smear e Krist Novoselic não tocam juntos uma música escrita por Kurt Cobain desde que o vocalista se matou, 20 anos atrás, e é bastante fácil imaginar que eles talvez nunca mais o façam. Jett deu o pontapé inicial com uma versão selvagem de “Smells Like Teen Spirit” que fez os homens de smoking dançarem sentados. Kim Gordon, do Sonic Youth, manteve a energia lá em cima com uma interpretação fiel de “Aneurysm” e Annie Clark (St. Vincent) cantou “Lithium”. A performance chegou ao fim com uma angustiante versão de Lorde para “All Apologies”. Ela nasceu dois anos e meio depois que Cobain morreu, mas, de alguma forma, mostrou confiança de sobra para se entregar àqueles versos agonizantes.

A noite começou um pouco depois das 19h, horário de Nova York, com um discurso do presidente do Hall da Fama do Rock, Jann Wenner. “Estamos muito contentes de estar aqui no Brooklyn nesta noite”, disse ele. “Como Keith Richards costuma dizer, nesta idade, nós ficamos contentes em estar em qualquer lugar. Estamos aqui para celebrar a nossa juventude, a nossa música e aquilo que nos mantém jovens para sempre. O rock and roll nos dá esperança, paixão, alegria, coragem, amor e uma maneira de entender o mundo. Para muitos de nós, é um estilo de vida.”

Peter Asher entregou os dois prêmios da noite para Brian Epstein, empresário dos Beatles, e Andrew Loog Oldham, também empresário e produtor dos Rolling Stones. Na sequência, Peter Gabriel fez uma versão hipnótica de “Digging In The Dirt” antes de Chris Martin entrar em cena e empossá-lo no Hall da Fama do Rock and Roll. “Ele uniu as músicas de todo o mundo”, disse o vocalista do Coldplay.

“Cuidem da música”, discursou Gabriel. “Ela deveria vir com um aviso de efeitos colaterais. Ela pode ser perigosa. Ela pode fazê-lo se sentir tão vivo, tão conectado com as pessoas ao seu redor, conectado com o que você é por dentro. Ela pode fazer você pensar que o mundo poderia e deveria ser um lugar melhor. Também pode deixar você muito, muito feliz.” Gabriel senta ao piano e, em dueto com Martin, mostra a obscura “Washing of the Water”.

As notícias que antecederam a cerimônia foram centradas no drama do Kiss, então foi pouco surpreendente ver o grande momento deles ocorrendo no início da noite, embora tivesse sentido, já que eles haviam sido os únicos indicados ao Hall da Fama que decidiram não se apresentar. O guitarrista Tom Morello, um fã da banda, fez um poderoso discurso em homenagem aos heróis. “O Kiss nunca foi uma banda dos críticos”, disse ele. “O Kiss era uma banda do povo. O primeiro show do Kiss a que eu assisti teve duas horas da música mais alta e catártica que eu já vi até hoje.”

Ace Frehley, Peter Criss, Gene Simmons e Paul Stanley subiram ao palco juntos sob poderosos aplausos e todos eles pareciam um pouco chocados por aquela recepção. Simmons falou primeiro e, contra todas as expectativas, foi o mais conciso deles. “Estamos honrados em estar neste palco e fazer aquilo que amamos”, disse ele. “Este é um momento bastante profundo para todos nós. Estou aqui para dizer algumas palavras gentis sobre quatro caras que, 40 anos atrás, juntaram-se e decidiram criar uma espécie de banda que nunca havíamos visto sobre um palco e os críticos que se danassem.”

Após falar de forma gentil sobre os dois antigos companheiros de banda, ele entregou o microfone a eles. Peter Criss agradeceu a todos, desde os primeiros empresários do grupo até os motoristas dos caminhões, enquanto Frehley divagou sentindo dificuldade em ler suas anotações sem os óculos adequados. “Quando tinha 213 anos, eu peguei a minha primeira guitarra”, disse ele. “Eu sempre senti que seria grande. Alguns anos depois, lá estava eu, aproveitando o Verão do Amor.”

Stanley, que tem sido o maior crítico do Hall da Fama do Rock ao longo da construção da cerimônia, usou a oportunidade para mostrar algumas opiniões. “As pessoas estão falando com o Hall da Fama”, disse ele. “Elas querem mais. Elas merecem mais. Elas querem ser parte da escolha. Elas querem ser parte do processo de indicação. Elas não querem só ter que escolher entre as sugestões. As pessoas pagam pelos ingressos. Elas pagam pelos discos. E não são as pessoas que escolhem os indicados.”

As esperanças de uma performance surpresa do Kiss acabaram quando a banda saiu do palco e Art Garfunkel surgiu para coroar Cat Stevens, que compareceu sob o nome de Yusuf Islam. Já Linda Ronstadt, com dificuldade de viajar por conta da batalha dela contra o Parkinson, foi homenageada por velhos amigos e parceiros de trabalho. Glenn Frey fez o discurso, destacando o fato de que os Eagles não existiriam se ela não tivesse os contratado como grupo de backing vocal no início dos anos 1970.

No público, pessoas usavam camisetas vintage de Bruce Springsteen e começaram a chamá-lo antes mesmo que ele aparecesse no palco para dar as boas-vindas para a E Street Band ao Hall da Fama do Rock. Sem surpresa, ele aproveitou a oportunidade para falar com carinho sobre cada um dos integrantes, dando atenção especial a Danny Federici e Clarence Clemons.”Essas são as pessoas que construíram este lugar chamado E Street”, disse ele. “Nós brigamos juntos e, às vezes, brigamos uns com os outros. Nós muitas vezes tivemos vitórias e, em outras, entramos em nossas próprias e tristes guerras. Nós aproveitamos a nossa saúde e sofremos com o envelhecimento e com a morte juntos.”

Muitos fãs (e integrantes da banda) ficaram chateados quando o grupo não entrou para o Hall da Fama juntamente a Springsteen, em 1999, e o discurso acabou trazendo uma luz chocantemente honesta sobre a situação. “Algumas noites antes da minha própria entrada para o Hall, eu estava na minha cozinha, às escuras, com Steve Van Zandt”, disse Springsteen. “Steve tinha acabado de voltar para a banda depois de 15 anos. Ele estava pedindo para que eu fizesse o Hall da Fama nos introduzir todos juntos. Eu ouvi, o Hall da Fama tem suas regras e estava feliz com a minha independência. Nós não tocávamos juntos havia 10 anos. Nós estávamos afastados. Nós estavam dando os primeiros passos deste reencontro. Não sabíamos o que o futuro poderia nos trazer. Talvez a sombra de velhos rancores ainda tivesse alguma influência sobre nós. Era um enigma. Steve era persistente e, ao final da conversa, ele apenas disse: ‘Yeah, yeah. Eu entendo. Mas Bruce Springsteen e a E Street Band, isso é lendário’.”

Foi neste ponto que a agenda cuidadosamente traçada para a noite se desfez e os organizadores provavelmente começaram a suar frio com a possibilidade de pagar por horas extras. Onze integrantes da E Street Band e cada um deles tinha um direito a um discurso de 30 segundos. O tecladista original da banda, David Sancious, que deixou o grupo em 1974, falou primeiro e o discursou por seis minutos seguidos. Levou quase 40 minutos para que cada um tivesse a sua vez, e isso incluiu incríveis tributos a Federici, feito pelo filho Jason, e para Clarence, realizado pela viúva Victoria.

A multidão estava ficando inquieta perto do final, mas os perdoou quando a banda pegou seus instrumentos. Foi a primeira reunião da banda com Vini “Mad Dog” Lopez e Max Weinberg em baterias separadas e Sancious no órgão. Eles tocaram “E Street Shuffle”, “The River” e a épica “Kitty's Back”, na qual quase todo mundo teve que fazer um solo. Foi incrível e uma forma perfeita de honrar a E Steet Band.

Algumas pessoas acharam surpreendente a escolha por Questlove para apresentar a indução de Hall & Oats, mas o sujeito é uma enciclopédia da música. E também, ninguém conhece melhor a Filadélfia do que ele. Talvez sabendo que o evento estava atrasado, o duo foi rápido e direto nos discursos. “Nós temos feito isso por 40 anos”, disse Oates. “Por que deveríamos parar agora. Para sorte de vocês, só somos nós dois”. E o público riu com a referência aos longos discursos da E Street Band.

Inevitavelmente, a noite foi encerrada com o Nirvana. Michael Stipe fez o discurso. “Eles eram únicos, barulhentos, melódicos e profundamente originais”, disse ele. “Aquela voz, aquela voz. Kurt, nós sentimos a sua falta. Eu sinto a sua falta. O Nirvana definiu um momento, um movimento daqueles que eram deixados de lado, de esquisitões e garotas acima do peso passando por nerds tímidos e crianças góticas no Tennessee e Kentucky, de roqueiros a crianças intimidadas por serem inteligentes demais e sofriam com isso. Nós éramos uma comunidade.”

Dave Grohl e Krist Novoselic aceitaram o prêmio ao lado de Courtney Love e integrantes da família de Kurt. Grohl lembrou que ele foi o quinto baterista do Nirvana e sinceramente agradeceu a cada um dos antecessores, especialmente Chad Channing. “Ele é meu herói absoluto das baquetas”, disse ele. “E ele está em casa, em algum lugar nesta noite.” Novoselic agradeceu muito aos fãs do Nirvana. “As pessoas me param todos os dias”, disse ele. “Eles dizem: ‘Obrigado por essas músicas’. Quando ouço isso, lembro de Kurt Cobain. Gostaria que ele estivesse aqui nesta noite. Aquelas músicas significam tanto para tanta gente. Kurt era um artista intenso. Ele realmente conseguia se conectar com muita gente.”

O longo histórico de brigas entre Dave Grohl e Courtney Love fez muita gente pensar que ela faria algum discurso azedo. Acabou não sendo o caso de forma alguma e ela falou por apenas um minuto. “Eu tenho um grande discurso, mas não vou repeti-lo. Essas pessoas para as quais estou olhando são a minha família. Todos vocês. Irmão Michael, irmão Krist, vovó Wendy, senhor Grohl... David”. Ela foi até ele e o envolveu com os braços, em um dos momentos mais emocionantes da noite. “É isso”, disse ela. “Eu só gostaria que Kurt estivesse aqui para ver isso.”

A versão de “Smells Like Teen Spirit” com Joan Jett enviou ondas de choque por toda arena e elas só cessaram quando Lorde terminou de cantar “All Apologies”. Todo o set em homenagem ao Nirvana provavelmente foi um dos melhores momentos de toda a história do Hall da Fama do Rock and Roll. E, para quebrar a tradição, não houve aquela tradicional jam com grandes músicos no fim da cerimônia. Afinal, o que poderia superar o Nirvana?

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