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The Who mostra força com Ópera-rock ‘Quadrophenia’

O Grupo inglês da mesma geração de Beatles e Stones, o Who chegou aos anos 1970 como um dos maiores e mais ambiciosos nomes do rock — com "Tommy", de 1969, ele consagrara (para o bem e para o mal) o conceito de "ópera-rock", abrindo mil possibilidades narrativas para um gênero musical tido como superficial. Foi aí que a cabeça mais pensante da banda (o guitarrista Pete Towshwend) refletiu sobre o que levara os quatro garotos ao Olimpo do rock. E criou "Quadrophenia", o último grande disco do Who, lançado em 1973 — e agora reeditado em versão remasterizada, com as demos de Townshend como bônus.
Para esse álbum (duplo, naqueles tempos de vinil), o guitarrista voltou à adolescência, no início dos anos 1960, numa época em que a banda tinha sido abraçada pelo mod — um movimento de jovens londrinos aficionados por lambretas, terninhos bem cortados, anfetamina e soul music. Festas e brigas com os rockers (gangue rival, que seguia o modelito dos roqueiros dos anos 1950) eram as grandes diversões dessa rapaziada.

Pete Townshend fez, nessa revisão do passado do Who (que seria uma das primeiras obras retrô da história do rock), um grande tratado sobre a passagem para a idade adulta. Ao mesmo tempo, em suas crises de identidade, o jovem mod Jimmy (protagonista das canções) exprime a eterna indefinição da banda, que se movia ao sabor de quatro fortes personas.

Apesar de contar uma história situada no passado, "Quadrophenia" olhava, musicalmente, para o futuro. O instrumental foi todo concebido por Towshwend para servir ao espírito aventureiro da banda, com músicas amplas o suficiente para caber em arenas, juntando hard rock, folk e progressivo.
Da abertura, com "I am the sea"/"The real me" ao encerramento épico de "Love reign o’er me", o disco é uma grande demonstração do poder que o Who tinha acumulado como banda, com a bateria maníaca de Keith Moon, as linhas de baixo sólidas e criativas de John Entwistle e toda a dramaticidade dos vocais de Roger Daltrey. Que as contribuições dos músicos não entrassem em conflito com as exuberantes guitarras, pianos e teclados do criador Townshend — e, ao contrário, gerassem um todo ainda mais poderoso que a soma das partes — é um dos grandes mistérios do rock. E que agora pode ser curtido com mais prazer do que em 1973, em som remasterizado.

Mas a melhor forma de entender o valor do Who como banda é ouvir as versões demo das músicas de "Quadrophenia", reunidas no CD 2. Totalmente tocadas pelo guitarrista (que se desdobrou, inclusive, na bateria), elas são um disco à parte, com um visão completa de como a obra deveria soar. Mas aí entraram Daltrey, Entwistle e Moon — e outra história, bem mais gloriosa, se fez.



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